"Que pena" pra isso, "que pena" praquilo; "ah se fosse diferente!".
A borboleta que bateu as asas lá no outro lado do mundo mandou um furacão pra cá que devastou tudo, e por ora não tem o que fazer.
Sem meios e ferramentas pra resolver os resolvíveis e os impossíveis (ou possíveis fora do limite da perversidade extrema) lamento e deixo pra trás.
O grande lance é descobrir se o labirinto tem saída antes de entrar.
Têm vezes que você quer esquecer todas as pessoas, porque descobre que não gosta de ninguém.

Burro pra caralho.

Estou há aproximadamente três horas me odiando por ter conseguido ignorar um adesivo amarelo gigantesco avisando para não plugar o maldito aparelho em uma tomada de 220v, sendo que toda vez que eu olhava para a merda do transformador, onde está colado o adesivo, pensava com meus botões "bom saber, sempre esqueço, quando for instalar esse scanner é só plugar no estabilizador e fica tudo certo". Ok, obviamente foi isso que eu fiz, certo? Errado, muito errado. Resultado? O negócio ligou, depois de um tempo desligou e não voltou a funcionar.
Onde se arruma atenção?
calafrio, exame, sangue, exame, oi, silêncio, preciso ir;
caminha caminha caminha, procura e acha, sorri e sai;
caminha caminha caminha, sua, água, sua, assoa, encontra;
refresca, silêncio, lê, não lê, tenta ler, mau-humor teu, mau humor-meu;
fome, arroz, frango, farofa, maracujá;
calafrio, inércia, dorme, acorda;
vontade sumiu, vontade de sumir, vontade de tudo menos disso aqui;
silêncio, raiva, frustração, mau-humor meu, tchau, mau-humor, oi;
silêncio, escuro, vazio, fica aí;
calafrio, fome, pão, margarina, uma ligação, uma surpresa, tchau, passo aí amanhã;
repetindo os passos; sem olhos pra ler, sem cabeça pra ler, tenho que ler, não li;
calafrio, esperando, esperando, silêncio, nenhum sinal, então tchau;
escuro, voltou a vontade de sair, sozinho não, voltou a vontade de ficar aqui;
fome, arroz, frango, farofa, maracujá;
entorpecer? ler? nem um nem outro; cala a boca, brincadeira, chá, calafrio, escuro;
não vou explicar.
Uma das piores coisas desse mundo é o sentimento de impotência. Ver alguém querido passando por maus bocados e não poder fazer absolutamente nada pra ajudar é de doer o peito.

Acabei de passar em frente a uma igreja evangélica. Nela o pastor gritava, as pessoas estavam com as mãos para cima e eu andava pesado suando sangue, querendo esmagar qualquer coisa.
Me bateu uma vontade repentina de adentrar o culto e me passar por uma pessoa com o diabo no couro, seria exatamente assim:
Entraria como quem não quer nada, apenas fitando o pastor de forma séria, sentaria em uma cadeira qualquer e esperaria. Do nada começaria a me debater e agir de forma completamente doente pra levantar a questão do capeta na alma.
Caso fosse bem sucedido, iria até a frente e aproveitaria a ocasião pra descontar toda a raiva no infeliz pastor e em quem tentasse intervir, eles não me bateriam.
Começaria com uma cabeçada no nariz, um gancho no queixo e, me debatendo, lhe acertaria um soco no estômago, só pra começar.
Quem viesse me segurar, eu tentaria de qualquer forma me soltar, já imaginei um chute nas partes baixas ou uma mão na orelha.
Pena que eu não teria coragem nem pra começar isso tudo, mas só de imaginar essa minha raiva toda dá uma aliviada enorme.
Tudo tem prazo de validade, as coisas acontecem rápido demais pro meu gosto.
Ou vai ver eu que sou um tanto quanto devagar.
Você já se sentiu triste ao voltar ao lugar de onde veio?
Pois é, esse é o único sentimento ruim que me acompanha depois desses dias.
Vai ver comprei os dias bons pagando com dias ruins e pelas minhas contas ainda estão me devendo.